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ZH - AGOSTO DE 2005

1+1= sucesso ANELISE ZANONI Matemática é chata, complexa e sem graça. Mas nas mãos de professores criativos a ciência da lógica e dos números transforma os cálculos em uma diversão compreensível. Foi pensando em modificar os adjetivos negativos da disciplina que o professor aposentado Procópio Mendonça Mello criou, há cerca de 20 anos, uma maneira divertida de ensinar matemática. Na invenção, materializada nos Jogos Boole questões numéricas de lógica e raciocínio dividem histórias com personagens e situações imaginárias. - Os professores precisam acreditar que é possível fazer uma aula diferente. Os estudantes sabem matemática, mas não entendem isso porque são pouco estimulados ao raciocínio - afirma Mello. Graduado em 1966 em Matemática pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Mello queria ser físico. Cursou mais da metade da faculdade, mas como precisava trabalhar e o curso exigia horas de prática em laboratório, decidiu investir na matemática. Só não sabia que a segunda escolha profissional traria resultados tão notáveis na área da aprendizagem. - Acredita-se que a matemática é apenas número, mas é preciso raciocínio. Às vezes, o aluno não entende, mas o problema está na lógica - diz o professor. E foi na lógica que ele encontrou o remédio para os estudantes alheios aos números. Atuando na época como coordenador do Laboratório de Matemática do Instituto Educacional João XVIII, Mello elaborou os Jogos Boole como um projeto a ser aplicado em sala de aula. Com a proposta de criar problemas e desafios que facilitassem a aprendizagem e treinassem a inteligência, os jogos foram aprovados por educadores e apresentados pela mulher do matemático, Dora Anita Mello, no Congresso Mundial em Tessalônia, na Grécia, em 1988. Inspirado em George Boole, um dos fundadores da lógica matemática, o jogo cria enigmas e atividades práticas que auxiliam no aprendizado, treinando a inteligência. No material estão livros, baralhos e jogos de computador ilustrados com imagens, sons e palavras. Os exercícios também ajudam no aprendizado das línguas portuguesa, inglesa, espanhola e francesa - pode-se escolher o idioma de cada material. As crianças brincam e aprendem simultaneamente. E os professores reconhecem que o segredo da matemática não está em seu conteúdo, mas em sua forma. - Os vestibulandos com mais capacidade de raciocínio geralmente fazem cursos mais difíceis de passar, mas não sabem que na matemática é possível encontrar boas opções - diz.